Como é feito o diagnóstico do TDAH?

Você ou alguém que você ama vive com dificuldade de concentração, impulsividade ou agitação constante?Talvez você já tenha ouvido falar em TDAH — o Transtorno de Déficit de Atenção com Hiperatividade — e se perguntado: será que é isso? Como eu descubro? Hoje quero te explicar, de forma clara e acessível, como funciona o processo...

Você ou alguém que você ama vive com dificuldade de concentração, impulsividade ou agitação constante?
Talvez você já tenha ouvido falar em TDAH — o Transtorno de Déficit de Atenção com Hiperatividade — e se perguntado: será que é isso? Como eu descubro?

Hoje quero te explicar, de forma clara e acessível, como funciona o processo diagnóstico do TDAH. Porque entender o que se passa dentro da gente é o primeiro passo para uma vida com mais equilíbrio e qualidade.

O diagnóstico do TDAH não é um exame de sangue

Muita gente chega ao consultório esperando que um exame vá confirmar ou descartar o TDAH. Mas esse diagnóstico é clínico — ou seja, ele se baseia na história de vida da pessoa, nos sintomas observados e em critérios bem definidos pela ciência.
Não existe um teste único que feche o diagnóstico. O que existe é um olhar cuidadoso e humano sobre quem está à nossa frente.

Quem pode diagnosticar?

O diagnóstico é feito por médicos — especialmente psiquiatras e neurologistas — com experiência no transtorno. Em alguns casos, psicólogos e neuropsicólogos participam do processo, aplicando testes e coletando informações que enriquecem a avaliação.
O mais importante é buscar um profissional que olhe para o paciente como um todo. Não apenas para os sintomas, mas para a sua história, seus relacionamentos, seus sonhos e seus desafios.

As etapas do processo

A primeira e mais importante etapa é a conversa. Uma entrevista detalhada onde o profissional vai querer entender: quando os sintomas começaram? Em quais situações aparecem? Como impactam o trabalho, os estudos, os relacionamentos?
O TDAH é um transtorno do neurodesenvolvimento. Isso significa que seus sinais estão presentes desde a infância — mesmo que o diagnóstico só venha na vida adulta.

A partir daí, o profissional utiliza critérios científicos internacionais para avaliar se os sintomas de desatenção e/ou hiperatividade se encaixam no diagnóstico. São três perfis possíveis: predominantemente desatento, predominantemente hiperativo-impulsivo ou a combinação dos dois.

Questionários e escalas padronizadas também podem ser usados — respondidos pelo próprio paciente ou por pessoas próximas, como pais, parceiros e professores. Eles ajudam a ter uma visão mais ampla de como o transtorno aparece em diferentes contextos da vida.

Em casos mais complexos, uma avaliação neuropsicológica pode ser indicada, com testes que avaliam atenção, memória e funções executivas.

Antes de concluir o diagnóstico, é preciso descartar outras causas

Sintomas parecidos com os do TDAH podem surgir em pessoas com ansiedade, depressão, distúrbios do sono ou até alterações na tireoide. Por isso, uma avaliação completa sempre considera essas possibilidades.
O diagnóstico correto protege o paciente. Um erro nessa etapa pode levar a tratamentos inadequados — e anos de sofrimento desnecessário.

O diagnóstico não é um rótulo. É uma porta.

Receber o diagnóstico de TDAH muda muita coisa. Não porque a pessoa muda — mas porque ela passa a se entender melhor. Aquela sensação de “eu poderia me esforçar mais” dá lugar a uma compreensão mais gentil e real de como o seu cérebro funciona.
E a partir daí, abre-se um caminho de cuidado que pode incluir psicoterapia, orientações práticas e, quando indicado pelo médico, medicação adequada.
Nos próximos artigos, vou falar sobre cada um desses caminhos em detalhes.

Você já passou por um processo de avaliação para TDAH — seja você mesmo ou alguém próximo?

E se quiser entender melhor como a saúde mental se conecta com todas as dimensões da vida, te convido a conhecer meu livro O Equilíbrio das Seis Saúdes.

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